Versão modificada do capítulo terceiro do livro O Tao do Violão, que traz a ideia de um violão cósmico ou holístico, feito para uma música divina.

 

“Sob a influência do signo de Gêmeos, o novo ser
começa a amealhar experiências, seus rumos se
ramificam tal como os galhos de uma árvore. Ele
vai em várias direções e obtém extenso conhecimento”
(*1).

Intervalo natural: Segunda maior
Grau na escala cromática: 3
Essência: Gêmeos
Nota no universo de D (ré): E
Nota no universo de C (dó): D

“AUM não ressoa como uma palavra, mas como
um conceito. Uma pessoa sensível perceberá o som
que está em harmonia com a música das esferas.
Raramente pode-se ouvir a ressonância das esferas
com ouvidos terrenos, mas o ignorante a tem
apenas como um ruído em seu ouvido. Movamo-nos,
então, para onde ressoa o próprio Infinito”
(Agni Yoga *3).

(Assista o vídeo de Arun, sobre a origem das notas musicais: música divina!)
Quando falamos em música, falamos das próprias medidas da criação divina, em forma de som. Tudo que se individualiza gera uma série cíclica absoluta de vida, a ramificação ômnica que descrevemos no capítulo anterior. Assim é, também, com o som. Todo som gera outros sons, formando uma cadeia harmônica. O homem, cada vez mais, desenvolve a capacidade de ouvir essas propriedades universais, contidas em tudo, a que chamamos harmônicos. Um som, na verdade, é um complexo de outros sons. Os harmônicos são subprodutos sonoros gerados por uma nota fundamental, uma determinada onda que se individualizou. Quando um som se revela, quando soa, se manifesta, retine os passos mais marcantes do seu círculo de criação. Quando um hipotético “Um” soa, carrega em si essas outras notas que formam os pontos de apoio da sua cadeia. Ordinariamente, não reconhecemos esses “harmônicos”. Distinguimos apenas que a voz de João é diferente daquela de Maria, porém são justamente os harmônicos embutidos na vibração da voz de cada um que as fazem soar diferentes. A isso chamamos timbre. Dizemos que a voz de João é “grossa”, grave, enquanto a de Maria é “fina”, aguda, por causa dos harmônicos que uma e outra geram ao soar. Da mesma forma, um piano tem um timbre totalmente diferente de um violão, ou mesmo o daquele de um órgão. Na medida que o aparelho auditivo se desenvolve, a consciência se expande, revelando essas relações sonoras entre a “fundamental” e a sua constelação, que normalmente estão adormecidas no inconsciente. A música se torna um código de vibração universal, por soar os princípios cósmicos, demonstrados no capítulo anterior. Fenômeno de natureza sonora, a música se torna um laboratório perfeito e, mais do que isso, uma ferramenta mais que perfeita de sincronização com o Todo. A música, como a conhecemos, é um fenômeno vibracional que percebemos na dimensão auditiva tridimensional, mas é constituída dessas relações de amor, perfeição e beleza existentes na centelha divina, o som original.

“É por isso que você se sente bem ao ouvir música.
Por que você se sente bem? Que é música, senão
apenas um grupo de sons harmoniosos? Por que
você vivencia tamanho bem-estar quando há música
a seu redor? E por que, quando há caos, barulho,
sente-se tão perturbado? Você próprio é profundamente
musical. Você é um instrumento, e esse
instrumento re-ecoa as coisas” (Osho *6).

“O Pensador relembrava aos outros com freqüência a respeito da harmonia na música. Ele esperava que tal consciência pudesse auxiliar a estabelecer
a harmonia na vida” (Agni Yoga *4).

O homem e a mulher, como seres divinos da mais alta complexidade, são dotados
com a possibilidade de se tornarem conscientes da centelha divina, ou som original e, por isso, são microcosmos. Através do aparelho auditivo tridimensional podemos interagir com o universo, tomando consciência do som e, através da expansão da consciência, percebendo o fenômeno musical, aprofundamos a percepção dos sentidos para além do centro auditivo tridimensional. Os sentidos tanto se tornam adequados à investigação exterior quanto à interior, onde está a fonte da própria vida. Os sentidos vão nos abrindo a consciência, cada vez mais presente, da incomensurável beleza e perfeição divinas. Mas é a consciência – visualizando o exemplo do anuswar, que Osho menciona na explicação do OM (capítulo anterior) –, em última instância, que possibilita a existência do fenômeno musical, a chave oculta em todas as manifestações tridimensionais, mas que só o homem pode refletir conscientemente. Ao se conscientizar dessas relações harmônicas existentes no fenômeno sonoro tridimensional – tendo a experiência de um hipotético som, vivenciando-o como uma nota fundamental e reconhecendo a sua oitava, bem como os degraus existentes entre a fundamental e a oitava –, o aprendiz começa a aprofundar sua experiência auditiva, buscando o sentido da beleza contida nessas relações e, dessa forma, em contato com o sentido harmonioso da beleza e do amor divinos, começa a achar sentido em tudo – em ser. Assim como existe a “visão interior”, existe também a “audição interior”, em vários planos, várias dimensões, até que se possa ouvir a cada vez mais sutil música das esferas. Da mesma forma que o fenômeno “eu”, indivíduo, só faz sentido quando relacionado com a Fonte Original, Deus, uma nota só faz sentido quando relacionada ao sol de sua constelação ou escala, a tônica (ou fundamental). Na escala (ou onda) de Áries (1), onda primordial, Aquário (11) é um som dissonante, e Leão (5) é um som Yang, masculino, majestoso… O 1, Áries, é a nota fundamental, ou tônica. O 1 e o 13 são a fundamental. Dentro dessa “onda”, todas essas “notas”, seja Leão, Câncer ou Áries, ou qualquer outra, têm uma cor, sua personalidade característica. Ou seja, o quinto passo (cromático – ver cap. 8) de uma hipotética fundamental será sempre “leonino”. O décimo segundo passo ou grau de uma determinada onda soará sempre como uma energia pisciana dessa onda. Se dissermos que Câncer é uma fundamental, digamos, a onda de Câncer, então o quinto grau (cromático) de Câncer, que é Escorpião, soará “leonino” para ela. O importante é compreendermos as relações das energias dinâmicas da onda primordial. A capacidade de simplesmente ser e perceber a fonte e seus desencadeamentos, ou a fundamental e suas companheiras de escala, é que formam o contexto onde surge a compreensão da arte musical. Para alguns, a mais bela música não será diferente de um ruído, para outros o mero passar do vento pelas folhas de uma árvore os levará às mais altas esferas.

“Não há meio melhor de aproximar-se de Deus, de
elevar-se em direção do espírito, de alcançar a
perfeição espiritual do que a música, bastando
compreendê-la da forma correta” (*2).

Vejamos agora como aprender a ouvir a Fonte da Vida!!

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