Esse artigo é uma versão um pouco modificada do capítulo primeiro do livro O Tao do Violão, que traz a ideia de um violão cósmico ou holístico. E, ainda, lança uma nova teoria que norteia a abordagem: os símbolos zodiacais são símbolos sonoros.

“Áries faz com que algo apareça no mundo, faz com que nasça. O nascimento ocorre mesmo que não coincida com o signo de Áries! Pois, cada nascimento, independentemente do mundo exterior e devidamente independente dos signos, traz dentro de si a força inicial e a essa força chamamos Áries, tanto no conjunto de astros como no íntimo de cada ser individual. Trata-se do absoluto do Carneiro em cada forma criada. E o mesmo acontece exatamente com todas as outras constelações, com todas as manifestações de vida e com todos os aspectos das Quatro Faces de Deus. Sempre existe uma manifestação interior, absoluta, e uma manifestação exterior, relativa” (*1).

Intervalo natural: Fundamental ou tônica Grau na escala cromática: 1 Essência: Áries Nota no universo de D (ré): D Nota no universo de C (dó): C (A nota Um de um universo ou campo, ou escala) Cultura: do al. Kultur: O aperfeiçoamento do espírito humano de um povo; ‘lavoura, cultivo dos campos’; ‘instrução, conhecimentos adquiridos’. Enciclopédia Mirador Internacional Cultura: Antigamente não se usava cultura senão para as cousas do espírito. Atualmente passou designar também qualquer cuidado ou esforço para adquirir aperfeiçoamento. Dicionário Silveira Bueno Cultura: (…) Forma ou etapa evolutiva das tradições e valores morais, intelectuais, espirituais (de um lugar ou período específico)… Dicionário Houaiss Quem não gostaria de pegar num violão e entoar um som harmônico e melodioso? Acredito que muitos, muitos mesmo, apreciariam esta experiência. Quantos até compraram um violão, e entraram em alguma escola, mas esbarraram na imensa dificuldade de se integrar ao instrumento?… O violão, apesar de sua notável popularidade, só perde em grau de dificuldade para o violino, como se diz. Soma-se a isso, ainda, o fato de que, no Ocidente, transmite-se o conhecimento desses instrumentos quase que unicamente através de aspectos técnicos e teóricos, fazendo com que só os mais talentosos – os que já têm jeito para a coisa… – consigam produzir algo harmônico com esse saber. Como se fôssemos ensinar futebol por meio de polichinelos, flexões e abdominais, indiferentes à dimensão do brincar. A dimensão do brincar, da inspiração e da aspiração ao mais alto, tem ficado muito esquecida, aqui no Ocidente. Passei anos sem tocar profissionalmente, somente experimentando as técnicas de meditação de Osho, e tentando compreender o Seu conceito de meditação.

“No oriente, a música sempre foi utilizada como apoio para a meditação. É difícil lutar com a mente e seu constante fluxo de pensamentos, mas estando absorto numa linda melodia, faz com que todos os pensamentos desapareçam. Música é som, mas o som pode ser usado de tal forma que cria o silêncio; esta é a arte maior” (Osho *1).

Quando quis retornar à atividade musical, quis fazê-lo de forma que eu, minha mente, meu fazer, não interferissem; que eu pudesse mais ouvir que ser ouvido, mais inspirar do que impor. E me deparei com esta afinação simples, que chamo de “afinação meditativa”: uma forma mais elementar de introdução a este instrumento tão popular, e que o torna um violão cósmico. Esta afinação, aplicada ao instrumento, versátil, parte inseparável de uma cultura musical de riqueza incomparável, a brasileira, me trouxe resultados surpreendentes. É fascinante o crescimento musical e pessoal que se obtém, através desta visão, e me fascina ainda mais ver os alunos, iniciantes na maioria, já nas primeiras aulas viajarem como crianças, nos sons que eles mesmos produzem, e cantam! Resgatar todos esses violões, que estão em algum lugar das casas, guardados e empoeirados, e ouvi-los soando, criando alegria e harmonia para a Totalidade, realmente me faz sentir em pleno vôo! O que significa que todos podem se transformar, por intermédio desta abordagem. Orientar novos patamares em suas vidas, com uma ferramenta simples, que desenvolve a própria musicalidade, voz, aprofunda a percepção e o sentimento de bem-estar, com alegria e elevação. A partir daí, acessar o cerne da cultura musical universal se torna bem mais fácil, inclusive da nossa música brasileira, quando o fazemos através do violão cósmico. Duas questões básicas, a respeito da evolução da Música no Planeta Terra, estão sendo abordadas neste livro. A primeira é a questão existencial: os sons produzidos musicalmente tocam a alma profundamente. Isso só é possível porque somos e vivemos em um mar de vibrações… A história nos mostra que a música tem sempre sido utilizada em associação com a religiosidade, conectando o homem com a dimensão do seu potencial intuitivo. Esta questão tem se tornado cada vez mais compreensível. A segunda questão é a da racionalização da música. Que acontece na medida que o homem começa a se dedicar especificamente ao estudo do fenômeno sonoro, à fabricação de instrumentos e à notação musical. A utilização intuitiva, ou existencial, tem o seu ápice no Oriente, mais especificamente na Índia, como apoio à busca espiritual. A abordagem racional da música irrompe no ambiente da civilização grega, florescendo no Ocidente. Juntas, intuição e razão podem elevar o homem a um novo degrau evolutivo. A ciência da interioridade, que propicia a comunhão com o Todo, desabrocha como Religião, no Oriente. A ciência da exterioridade, que permite a análise das partes componentes, desabrocha como tecnologia, no Ocidente. Utilizaremos o violão, que é um produto típico da cultura ocidental, de linguagem racionalizada, como ferramenta auxiliar para vivenciarmos a existência física, espiritual e cósmica – o hólos grego – um violão ‘cósmico’ ou holístico. O bem-estar, a beleza e a harmonia com o infinito Revelaremos o violão como ferramenta de apoio ao autoconhecimento e ao bem-estar, por um lado integrando a voz e a musicalidade plenamente no corpo e nos sentidos, e por outro promovendo a experiência profunda da própria essência, expandindo a consciência criativa e lúdica do aprendiz. Nós nos dirigimos aos adultos, aos jovens e à Melhor Idade, àqueles que anseiam pela musicalização plena. Através da abordagem proposta, o som original do instrumento, como é apresentado, ou seja, na afinação meditativa, pode levar a uma imersão deliciosa no momento presente, no agora, e essa experiência integra os elementos inconscientes da música com a percepção consciente do indivíduo, abrindo caminho para habilidades potenciais até então adormecidas. A experiência musical intuitiva com o violão cósmico servirá de base ao ingresso no reino interior, e essa experiência – que se utiliza profundamente do aparelho auditivo – auxilia no desenvolvimento dos dons musicais e espirituais. Alcançaremos, então, por meio do som das cordas soltas do violão – com a afinação meditativa… –, que lembra a harpa angelical etérea!!, e mais a compreensão adquirida nas técnicas de meditação, aqui apresentadas, um reencontro com a Vida Interior, o Seu deleite e a Sua expressão amorosa, no viver de cada dia. Começaremos falando dos aspectos existenciais da música e, em seguida, dos aspectos racionais, de fundamental importância para o aprofundamento da experiência, que é cósmica, culminando com a fusão de ambos os conceitos, existencial e racional, no objetivo do maior equilíbrio com a própria natureza.

“(…) Vocês se referem freqüentemente à palavra cultura; ela significa o culto à Luz. Eu vos recordo de quão grande é a responsabilidade de todos ante a Luz, pois cada pensamento pode tanto obscurecer como purificar espaços. Lembremo-nos, pois” (Agni Yoga *1).

OM, representação fonética do som original, também grafada AUM – veja capítulo 2. Vamos ver, então, a origem ômnica (relativa ao OM1, o som original) da nossa existência. *1 Iniciação.HAICH, Elisabeth. Editora Cultrix/Pensamento Osho *1 The Golden Future, #21 Agni Yoga *1 Hierarchy, 1931 (quadra n°) 173 OBS.: Primeiro capítulo do livro O Tao do Violão, de Arun.

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