A Afinação: Da Pureza Meditativa à Riqueza da MPB

por | 5 de março de 2026 | Violão Cósmico

Todo caminho verdadeiro tem suas estações. E a jornada do Violão Cósmico não é diferente.

No início, quando o trabalho com a Sensibilização Neuromusical começou a tomar forma, eu utilizava uma afinação baseada apenas na fundamental e na quinta justa – o intervalo sagrado que criei para a tamboura guitar e para o CD “Violão Cósmico”. Era uma sonoridade pura, meditativa, que criava um ambiente de repouso perfeito para a introspecção.

E funcionava. E ainda funciona – para o silêncio, para a escuta interior, para a prática solitária.

Mas quando esse mesmo violão encontrava a riqueza harmônica da música popular brasileira, algo se perdia. A pureza deixava a desejar. A MPB, com seus acordes complexos, suas modulações e sua alma tão plural, pedia mais.

Foi então que o instrumento precisou evoluir.

Mantive o princípio da quinta como base, mas passei a buscar uma afinação que se aproximasse mais tanto do violão tradicional quanto do cavaquinho. Queria que o instrumento pudesse dialogar com o samba, com o choro, com a bossa – sem perder sua vocação meditativa.

Nasceu assim o que hoje chamo de “brasileirinho com sotaque indiano”.

O violinho atual não abandonou a ancestralidade védica. Pelo contrário: ele a integra à nossa terra. Sua afinação permite que o músico transite com naturalidade entre a expansão solar da terça maior e a introspecção lunar da terça menor, entre a estabilidade da quinta e a tensão criativa do trítono.

Ele é, ao mesmo tempo, instrumento de meditação e de celebração. Ferramenta de autoconhecimento e veículo para a MPB.

Essa síntese não foi planejada. Ela aconteceu – como acontece tudo que é vivo – por necessidade, por escuta, por amor ao que a música pode ser.

Hoje, o Violão Cósmico é essa ponte: entre Oriente e Ocidente, entre o silêncio e o som, entre a alma que busca e a terra que canta.